Fonte
InfoMoney - 19/03/07
Não
há como negar que o cartão de crédito
veio
facilitar a vida do consumidor. A comodidade e praticidade do
crédito pré-aprovado é, sem
dúvida, uma
enorme vantagem. Não é à toa que uma enquete realizada pela InfoMoney
mostrou que o plástico é preferido pelos
usuários do site.
Porém, se a comodidade é uma vantagem,
não há como negar que o crescimento do
crédito não foi acompanhado de orientação adequada.
Muitas vezes, por não entender exatamente o funcionamento do
produto ou os termos expressos na fatura, o consumidor acaba perdendo o
controle de suas finanças.
Mas não precisa ser assim! É possível
tirar proveito do seu cartão de crédito e
usá-lo como um aliado na gestão das suas
finanças pessoais. Para ajudá-lo nesta tarefa,
elaboramos uma lista do que julgamos serem os erros mais comuns
cometidos no uso do cartão de crédito:
- Só efetuar pagamento
mínimo
No passado, algumas operadoras chegaram a baixar o valor do pagamento
mínimo para 10%, como forma de estimular o uso do
cartão. Se você é daqueles que
há tempos não consegue quitar o saldo do seu
cartão e segue pagando apenas o valor mínimo
exigido na fatura, saiba que é muito
difícil quitar sua dívida desta forma.
Preocupado com o que considera excessivo endividamento da
população, o governo norte-americano anunciou, no
final de 2005, um pacote de medidas dentre as quais obriga as
operadoras de cartão de crédito a elevarem o
valor mínimo exigido para pagamento. Com isso, o governo
pretende forçar que as dívidas sejam quitadas em
um prazo razoável de tempo.
- Considerar limite do cartão como
renda
Em geral, aqueles consumidores que só efetuam o pagamento
mínimo do cartão de crédito
também incorrem neste erro. Lembre-se, crédito
não é renda! Você não paga
juros pela sua renda,
enquanto que o dinheiro
emprestado lhe custa os juros.
Apesar disso, muitas pessoas usam o limite do cartão para
arcar com despesas correntes, como supermercado, farmácia,
sem ter noção de que, aos poucos,
estão perdendo seu controle
financeiro. Não há nada de errado em
usar o cartão para pagar estas despesas, desde que, ao final
do mês, você tenha como arcar com a fatura
integralmente.
O limite do cartão existe, é bem verdade, para
ser usado, mas no caso de situações de
emergência e por pouco tempo. Ainda assim, o ideal
é que você tenha uma reserva financeira, para
não precisar levantar crédito. Sem um planejamento
orçamentário adequado, é
fácil sair de uma situação de
dificuldade financeira temporária para o descontrole
permanente.
- Gastar sem planos de pagar a
dívida
Muita comodidade às vezes pode fazer mal à nossa
saúde, tanto a física quanto a financeira. Por
exemplo: o controle remoto nos tornou ainda mais
sedentários, já que podemos passar o dia todo
sentados em frente à TV, já que não
é preciso levantar sequer para mudar de canal. O mesmo pode
ser dito do crédito pré-aprovado.
Na hora em que gasta o dinheiro com o cartão, você
não sente no bolso. Não é preciso
muita coisa, e lá está você gastando de
novo. Quando pagamos em dinheiro, temos a
visualização exata do que está
acontecendo. Do ponto de vista psicológico, isso
é muito positivo, pois em geral coíbe o consumo
por impulso. No cartão isso não acontece, e
muitas pessoas continuam gastando sem qualquer tipo de planejamento
sobre como irão pagar essa dívida. Evite este
efeito "bola de neve", e planeje quitar sua
dívida integralmente nos próximos 90 dias.
- Pagar consistentemente com atraso
Se você só vai pagar o valor mínimo,
evite atrasos, senão os encargos são ainda
maiores, já que você precisa arcar com a multa de
mora de 2%, o que só aumenta sua dívida. Reflita
sobre o porquê desta situação:
você é desorganizado ou não tem como
arcar com os pagamentos?
Muitas vezes, o que falta não é
organização, mas um pouco de planejamento. A data
de vencimento do seu cartão pode não ser
adequada, por coincidir com outras despesas. Avalie se vale a pena rever a data da fatura.
Já se o problema for falta de recursos, procure ajuda:
você precisa estudar formas de renegociar a sua dívida.
A única coisa que você não pode fazer
é deixar que isso se repita, pois atrasos constantes podem
levar a administradora de cartão de crédito a rever os termos da sua linha de
crédito pré-aprovado, seja reduzindo o limite ou
aumentando os juros.
- Ignorar o quanto deve
Quem já não teve vontade de evitar o espelho
depois das férias, com medo de encarar os quilinhos a mais?
A verdade é que você pode evitar o espelho o
quanto quiser, pois as suas calças invariavelmente lhe
dirão a "verdade". O mesmo vale para as suas
dívidas!
Empurrar com a barriga, ou evitar encarar o problema acreditando que
ele vai embora não é a
solução, ainda mais
quando estamos falando de crédito rotativo, como
é o caso
do cartão de crédito! Quando a próxima
fatura
chegar, evite olhar apenas o valor do mínimo e procure se
informar sobre o total da sua dívida. Estabeleça
uma meta
de quitação: se não conseguir resistir
à
tentação de gastar, não pense duas
vezes e quebre
o cartão!
- Compartilhar dívidas
Quem já não conhece alguém que teve o
seu nome enviado para o SPC, porque comprou financiado para outra
pessoa, que não manteve a sua palavra e atrasou os
pagamentos. Você pode não acreditar, mas a
inadimplência é maior entre amigos, parentes e
conhecidos. Isso porque as pessoas se sentem mais
confortáveis em atrasar o pagamento a um amigo, do que para
uma loja, ou banco.
Reflita sobre o seguinte: se o seu amigo está com
dificuldades financeiras, ele provavelmente se encontra nesta
situação por alguma razão. Tente
ajudá-lo a resolver este problema e não empreste
o dinheiro. Se ele está sem emprego, ajude-o a se recolocar,
mas não aceite financiar em seu nome a TV que ele "precisa"
comprar.
Para quem tem filhos, vale esta mesma orientação.
Estabeleça limites: é do seu crédito e
do seu nome que estamos falando. Muitos jovens só
têm cartão graças ao
histórico de crédito dos pais. Porém,
sem controle, acabam gastando demais e comprometendo a saúde
financeira da família toda. Lembre-se:
educação financeira começa em casa, e a
melhor forma de educar o seu filho não é dar
dinheiro ou cobrir todos os gastos que efetuar, mas sim
orientá-lo a viver de acordo com os seus limites.
É claro que, para isso, você precisa dar o exemplo!
Múcio Morais
Palestrante Motivacional,
Palestras Motivacionais e Seminários de Liderança
Telefax: (31) 3082-7271
|