Você é um
ótimo líder em potencial e encontrou a
oportunidade ideal para tornar isso realidade. Quanto você
pode “embelezar” seu currículo para
demonstrar ser um candidato forte, sem ultrapassar o limite
ético?
Considere
algumas reflexões conflitantes:
- mais de 50%
das pessoas mentem nos seus currículos, nos Estados Unidos.
- um blog do
monster.com, que fala dos perigos de mentir no currículo,
listou 60 comentários de pessoas, à procura de
emprego, recomendando que se minta, e apenas 46 desencorajando a
ação. Os primeiros justificam sua
posição alegando que todo mundo faz isso,
inclusive as empresas, em relação aos requisitos
que a vaga exige, o que torna mais difícil se encaixar no
perfil procurado.
- executivos que
são flagrados mentindo em seus currículos
freqüentemente perdem seus empregos. Nos Estados Unidos,
existem exemplos conhecidos em empresas como Radio Shack, MIT, Notre
Dame, and Herbalife.
Se
você está lendo este artigo, provavelmente
não se sente tentado em forjar um currículo por
completo. Mas o que você pensa sobre os itens listados a
seguir?
- reivindicar
para si um feito que não lhe foi creditado, embora tenha de
fato sido a peça mais importante para
alcançá-lo.
- citar um cargo
exercido “mais importante” que aquele que realmente
exerceu, pelo fato de que, na prática, você
realmente o exercia, embora nos registros ocupasse uma
posição inferior.
- inflacionar o
número de pessoas ou funções com as
quais tinha responsabilidade direta, por ter efetivamente tido que
lidar com elas de maneira influente.
A isso chamamos
“racionalização”, ou seja,
elaborar justificativas para afirmações que no
fundo acredita serem frágeis. Criando impressões
enganosas mas justificando esse ato, você, em
função dos fins, cria uma névoa sobre
o que é certo ou errado. As
racionalizações são
traiçoeiras porque faz você enganar a si
próprio e a acreditar na própria maquiagem
elaborada.
Então...
qual é a linha divisória entre certo e errado?
Você precisa delimitar essa fronteira para você
mesmo. Segue aqui alguns testes para manter suas reflexões
claras:
-
coloque-se no lugar do outro: como você se sentiria se fosse
o contratante?
- você
se sentiria da mesma maneira se o que você relatou fosse
divulgado na primeira página do jornal mais importante do
país ou até mesmo numa newsletter interna da
empresa?
Você pode estar
pensando: “Não é bem assim. Meu
currículo não passaria por esses testes, mas
há algo real naquilo que reivindico como
realizações profissionais e não quero
vender uma imagem irreal inferior.”
Quando estiver
em dúvida, pergunte a um ex-chefe. Talvez isso seja
difícil de fazer, mas traz muitos benefícios.
Exatamente porque é difícil, força
você a pensar claramente e, algumas vezes, de maneira
criativa. Perguntar também verifica quão precisas
são suas afirmações, treina seu antigo
dirigente no que deve ser confirmado como
informação verídica caso seja
contatado, além de permitir que ele faça
sugestões sobre como você pode vender melhor sua
imagem.
Recentemente, um
ex-VP de uma das minhas novas empresas perguntou-me se ele poderia
colocar em seu currículo que tinha sido co-fundador dela,
mesmo tendo se juntado a nós nove meses depois que ela tinha
sido aberta. Por conta dos meses que ficou sem receber
salário e de seu comprometimento similar a de um
co-fundador, eu entusiasmadamente concordei. Mas se ele tivesse se
juntado à empresa alguns meses mais tarde ou
começado a receber salário alguns meses mais
cedo, não concordaria.
O que
você pensa disso? Há algum momento em que
“embelezar” o currículo é
legítimo?
Clinton D.
Korver é CEO da DecisionStreet e um dos sócios da
Decision Quality International, empresa de treinamento de executivos.
Múcio Morais
Palestrante Motivacional,
Palestras Motivacionais e Seminários de Liderança
Telefax: (31) 3082-7271