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A Estratégia do Oceano Azul...
Síntese da
Palestra
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W.
Chan Kim e Renée Mauborgne, especialistas do Insead de Fontainebleau, ensinam
como as empresas podem concentrar-se em criar “oceanos azuis”, investindo na
formação de mercados novos –e unindo em uma mesma estratégia diferenciação e
baixo custo
Em
um período de três anos, a Apple Computer se revelou uma das empresas mais
poderosas no campo da música digital. Por trás desse ressurgimento está o
crescente sucesso do player de música digital iPod
e da jukebox digital
iTunes.
Desde o lançamento do primeiro, em outubro de 2001, a Apple
vendeu mais de 6 milhões de unidades e abocanhou mais de 60% do mercado de players de música digital.
Para completar, o iTunes é a jukebox digital número um do
mundo e ocupa 70% do mercado de downloads musicais
legais.
O mais interessante está no fato de que nenhum desses novos
negócios foi lançado em setores de crescimento elevado. Antes da entrada do iPod
em cena, existiam diversos players simples e baratos,
além de potentes jukebox digitais de MP3,
capazes de armazenar e tocar até 5 mil músicas. Quando o assunto era música
digital, parecia que as pessoas não estavam dispostas a colocar a mão no bolso
para fazer downloads de
músicas.
Empresas como a Napster haviam inspirado os adeptos das músicas
capturadas na internet a baixar canções de maneira ilegal, sem pagar nada. Por
volta de 2003, a média de arquivos ilegais baixados era de mais de 2 bilhões por
mês. Apesar dos esforços e medidas legais para conter essa tendência, a
atividade era ilegal e pouco rentável, além de limitada ao universo dos adeptos
à tecnologia.
O sucesso da Apple nas duas iniciativas não se baseou no
mero “roubo” dos usuários dos players já existentes. Em vez
disso, a empresa ampliou a demanda de modo significativo, transformando em
clientes uma massa de pessoas não tão ligadas em tecnologia. Ao mesmo tempo,
criou uma poderosa propaganda boca a boca para divulgar o recente e irresistível
produto.
Os dois
oceanos
A fim de compreender melhor a façanha da Apple, vamos
imaginar um mercado formado por dois tipos de oceano: um azul e outro
vermelho.
Os oceanos vermelhos reúnem as empresas que já existem
e, nele, todas tentam superar os concorrentes a fim de conquistar uma parcela
maior da demanda já existente. Com uma competição tão acirrada, as águas não
raro se tornam sangrentas e reduzem-se as expectativas de lucros e crescimento.
A principal investida estratégica consiste em fazer um constante benchmark da concorrência e
tentar superá-la. Em resumo: a agenda estratégica é estabelecida pelos
concorrentes.
Já os oceanos azuis são
constituídos pelos mercados intocados e por oportunidades de um crescimento
altamente rentável. Suas águas são amplas, profundas e
inexploradas.
Nelas, é preciso criar demanda, em
vez de disputá-la com a concorrência. As empresas que criam oceanos azuis, como
a Apple, podem deixar os concorrentes para trás ao proporcionar um salto de
valor para o cliente e para si mesmas.
Em qual dos dois oceanos sua
empresa ancorou o pensamento estratégico? Na pesquisa que realizamos na última
década –que está no livro A
Estratégia do Oceano Azul (ed. Campus)–, avaliamos as conseqüências do
crescimento rentável quando se criam oceanos azuis.
O levantamento de
negócios lançados por 108 empresas mostrou que 86% atuavam de modo linear, ou
seja, limitavam-se a acrescentar melhorias dentro das águas vermelhas dos
mercados existentes e, apesar de representarem 62% da receita total dos novos
lançamentos, esses negócios respondiam por apenas 39% do total de lucros. Por
outro lado, os 14% dos lançamentos restantes tinham o objetivo de criar oceanos
azuis: eram responsáveis por 38% da receita decorrente dos novos negócios e por
61% dos lucros.
Embora alguns executivos da área de tecnologia não
gostem da notícia, esse não é o principal fator para a criação de oceanos azuis.
Na realidade, os oceanos azuis não são sinônimo de inovação tecnológica ou de
tecnologia de ultíssima geração; derivam da inovação de valor –ou seja, da
associação da inovação a fatores valorizados pela maioria dos consumidores– e
não da inovação tecnológica em si.
De acordo com nossa
avaliação de mais de 30 setores de atividade, a inovação tecnológica não se
revelou um fator definitivo para a criação de oceanos azuis. Isso se aplica
muitas vezes até a empresas baseadas em tecnologia, como a Apple e a Compaq. Mas
nem sempre.
Em 1992, a Compaq criou um multibilionário oceano azul de
servidores de microcomputadores ao lançar o ProSignia, notebook que oferecia aos
compradores o dobro da capacidade de armazenamento e de impressão por um terço
do preço. A tecnologia atendia, de fato, ao desejo de grande número de
consumidores. Mas é nesse ponto que os profissionais da tecnologia geralmente
perdem o bonde: eles acreditam estar diante de algo grandioso, mas nem sempre
isso encontra aprovação no mercado.
Houve aprovação do mercado no caso do
ProSignia da Compaq, mas, quando se trata de tecnologia de última geração,
embora sempre impressione os aficionados, a pergunta principal deve ser: será
que essa novidade seduzirá os compradores em massa, alvo dos esforços da
empresa?
Somente quando uma tecnologia se
torna algo intuitivo, acessível e de fácil aplicação pelos usuários, de modo que
nem percebam que estão lidando com uma tecnologia nova, é que seu criador está
no caminho que leva à inovação de valor e ao desenvolvimento de oceanos
azuis.
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Suas idéias
sabem “nadar”? Faça o
teste
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Para saber se suas idéias
são capazes de flutuar em um oceano azul, pergunte-se: como a tecnologia pode
tornar a vida dos consumidores bem mais produtiva, simples, conveniente, segura,
divertida e em dia com a moda? Se você não conseguir responder a essa questão
com frases simples e decisivas, não está no caminho certo para a criação de
oceanos azuis.
A seguir, alguns indicadores de que pode haver confusão
entre inovação tecnológica e estratégia do oceano azul:
- É preciso aprender a usar o
produto ou serviço que você pretende oferecer?
- A instalação requer manuais
extensos?
- É preciso esclarecer para o
consumidor quais problemas podem ser solucionados com a nova
oferta?
Se a resposta a alguma das
perguntas for positiva, reavalie seu projeto.
Outro ponto de partida:
quais são os produtos e serviços alternativos à nova oferta? Qual produto ou
serviço alternativo reúne a maior massa de consumidores e a qual
preço?
Lembre-se de responder a essas perguntas da perspectiva do
consumidor. No caso do Quicken, a principal alternativa aos programas de gestão
de finanças pessoais era o lápis –por isso, a Intuit estabeleceu o preço do
Quicken tendo em vista o lápis e não os 42 softwares existentes,
transformando, assim, não-usuários em clientes.
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Usamos a expressão “no caminho”
porque, para que a tecnologia sirva de base para a criação de oceanos azuis, os
executivos de tecnologia precisam testar as idéias e iniciativas usando um
conjunto de critérios fundamentalmente diversificado.
Definição
dos critérios
Quando os executivos das áreas de tecnologia
compreendem essa necessidade, podem começar a acrescentar a função e o valor
estratégico como fatores decisivos para a criação de mercados inexplorados.
Estão aptos para escapar da armadilha de se guiar pelos concorrentes (benchmarking), prática comum
e não raro improdutiva, porque pode resultar em caras soluções de tecnologia da
informação que vão além do que os compradores realmente
valorizam.
Três critérios principais definem
os oceanos azuis comercialmente atraentes. Os executivos têm de compreendê-los
para de fato acrescentar valor real aos “diálogos estratégicos” de que
participam em suas empresas, assim como aos produtos, serviços e modelos de
negócio que desenvolvem.
Esses critérios –a seguir– determinam se as
idéias de novos negócios de uma empresa –e a tecnologia que sustenta esses
projetos– são capazes de criar um crescimento forte e rentável ou se consistem
em maravilhas tecnológicas destinadas a morrer na praia, como o Iridium, o
telefone por satélite da Motorola.
- Utilidade
para o consumidor. Para atender a esse
primeiro critério, os executivos devem avaliar se a novidade proporciona uma
utilidade excepcional e se há algum motivo decisivo para despertar o interesse
da massa de consumidores.
Caso a resposta seja negativa, em
princípio não existe potencial para a criação de um oceano azul. No entanto,
pode ser que a idéia do novo negócio ou da nova tecnologia tenha capacidade de
colocar os consumidores na moda ou tornar sua vida muito mais divertida, fácil,
produtiva, conveniente, menos arriscada, e a novidade resultará em águas
azuis.
 Embora pareça uma questão
evidente, muitas empresas
tropeçam aqui. O exemplo clássico é o Iridium, da
Motorola,
que não oferecia nenhuma utilidade consistente porque não
podia ser
usado dentro de veículos ou em lugares fechados.
É o oposto do caso do iPod, que
apresenta interface amigável,
é diferenciado, fácil de transportar e capaz de
armazenar grande número de músicas. Com um iPod, as pessoas se sentem
espertas,
produtivas e em dia com as novidades.
No mundo das finanças pessoais, a
Intuit compreendeu muito
bem a diferença entre tecnologia e utilidade ao
consumidor. Em 1984, a empresa criou um oceano azul de programas de gestão
de
finanças da linha Quicken. Na época, existiam 42 softwares
de gestão de
finanças pessoais, e o reduzido mercado era disputadíssimo. A maioria das
pessoas preferia usar o tradicional método de lápis e caderno para controlar seu
dinheiro.
Ao conversar justamente com o grupo do caderninho, a Intuit
descobriu o motivo: os softwares de gestão de
finanças disponíveis no mercado ofereciam tantas opções sofisticadas que
confundiam o usuário, intimidando-o. Além disso, era preciso investir muito
tempo apenas para decifrar os manuais de instrução e instalar o software.
Qual foi a reação da Intuit?
Apressou-se em simplificar drasticamente o programa, eliminar a terminologia
contábil e a maioria dos recursos sofisticados, concentrando-se em poucas
funções básicas mais usadas e desenvolvendo uma interface que se assemelhava ao
conhecido talão de cheques. Resultado: décadas depois da criação do Quicken,
nenhuma outra empresa –nem mesmo a Microsoft– conseguiu reduzir o espaço da
Intuit no oceano azul criado por ela.
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Preço estratégico. Caso sua idéia de negócio passe na
peneira da utilidade excepcional, a segunda questão é saber se o projeto
consegue ter um preço estratégico capaz de conquistar grande quantidade de
consumidores-alvo. A pergunta a ser feita é: será que esses consumidores estão
dispostos a pagar pelo que você pretende oferecer?
É nesse ponto que a
criação de oceanos azuis se afasta de maneira significativa de práticas
convencionais dos inovadores tecnológicos. Em geral, estes estabelecem preço
elevado, limitam o acesso inicial aos “usuários pioneiros” e tentam embutir no
preço um prêmio pela inovação –somente depois se preocupando em reduzir os
custos para ampliar a participação no mercado e desestimular os
imitadores.
Por outro lado, as empresas que criam oceanos azuis querem
conquistar os consumidores-alvo desde o início, a fim de desencorajar as
imitações, associar rapidamente a marca à fama de oferecer um valor
drasticamente superior e ganhar aprendizado e economia de escala.
Concentram-se na criação de uma demanda agregada por meio do ingresso no
universo dos compradores a um preço acessível. Sem um preço estratégico, os
consumidores podem desejar o produto ou serviço oferecido por sua empresa, mas
não terão condições de comprá-lo.
Vejamos o que aconteceu com o telefone
Iridium, da Motorola: oferecido por US$ 3 mil, não dava às pessoas motivo algum
para abandonar seus aparelhos celulares de US$ 150. É bem diferente do caso do
iTunes, que permite que os usuários baixem músicas facilmente –e pagando apenas
US$ 0,99 por arquivo.
Além de proporcionar às pessoas o recurso sem
precedentes de localizar e baixar músicas sem dificuldade, o iTunes foi de tal
modo estrategicamente precificado que até os jovens acham lógico pagar para ter
acesso legal às músicas, em vez de não desembolsar nada e incorrer em um
comportamento contrário à lei.
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Modelo de negócio. O
terceiro critério é a criação de um modelo de negócio que agregue utilidade
excepcional e preço estratégico, ao mesmo tempo que garanta uma margem de lucro
confortável.
A nova oferta tem boa viabilidade de lucros? Os oceanos
azuis só são criados quando há um salto no valor para o comprador na forma de
utilidade e preço e um salto no valor para a empresa no que se refere aos
ganhos.
O primeiro passo do
desenvolvimento de um modelo de negócio adequado consiste em determinar a meta
de custos. De acordo com nossa experiência, as empresas enfrentam dificuldades
para manter baixos os custos das tecnologias, produtos, serviços novos e, para
compensar, muitas vezes definem preços mais elevados do que seria
estratégico.
Para criar oceanos azuis, entretanto, não se pode permitir
que os custos determinem os preços. Ao basear a meta de custos no preço
estratégico definido pelo mercado e impedir os excessos, as empresas são
forçadas a avaliar quase todas as questões relativas a materiais, design, processo de produção
e distribuição –não raro chegando a resultados surpreendentes.
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Um plano de
90
dias
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Em um período de três meses, é possível dar diversos
passos para sintonizar o pensamento estratégico de seus colaboradores com a
filosofia do oceano azul. Não bastam idéias; é preciso contar com uma avaliação
atenta dos conceitos de valor para o comprador e para sua empresa. Veja como
começar:
Primeiro mês: Estabeleça a
diferença entre inovação tecnológica e criação de oceano azul.
- Estimule a equipe das áreas
tecnológicas a pensar menos em tecnologia de ponta e mais em “utilidade de
ponta” –sempre do ponto de vista do consumidor.
- Questione todas as idéias
sobre os modos de oferecer uma utilidade radicalmente superior.
- Promova diálogos regulares
entre os responsáveis pelos negócios e pelo marketing com consumidores a fim de
compreender bem os produtos e serviços de sua empresa.
Segundo
mês: Compreenda o que significa preço estratégico.
- Para cada nova idéia
baseada em tecnologia, reúna a equipe de tecnologia e estimule-a a avaliar todas
as alternativas do ponto de vista do cliente –e não da concorrência.
- Faça com que sua equipe de
tecnologia identifique as alternativas que captam a maior massa de consumidores
e a qual preço. Tome cuidado para não exceder os aspectos que os clientes de
fato valorizam.
- Lembre-os de que o objetivo
é estabelecer preço estratégico capaz de seduzir todos esses
consumidores.
Terceiro mês: Determine metas
de custos agressivas para seus colaboradores.
- Crie metas de redução de
preço e não de elevação de custos para a implantação de idéias de novos
negócios.
- Deixe claro para os
funcionários que os excessos de custo não serão permitidos.
- Estimule os colaboradores a
concentrar seus esforços na meta de custos.
- Permita que sua equipe
desempenhe as tarefas definidas.
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Sua
empresa é capaz de desenvolver técnicas de montagem novas e mais baratas de modo
que, por exemplo, a solda por ultra-som substitua os parafusos ou os estoques
sejam atualizados em horas e não em semanas ou meses? É possível reduzir o
número de partes a serem usadas ou substituir componentes caros por outros mais
em conta?
E mais: sua empresa pode adquirir a tecnologia necessária, em
vez de criar e produzir tudo internamente? Sua equipe pode eliminar, reduzir e
terceirizar atividades de sua cadeia de valor que apresentam altos custos e
agregam pouco valor? Há modos de reduzir custos por meio da automação de
atividades? Fazendo perguntas como essas, as companhias muitas vezes encontram
maneiras inovadoras de alcançar a meta de custos.
Os executivos da área
de tecnologia podem desempenhar dois papéis importantes. Primeiro, ao criar
produtos ou serviços com componentes de alta tecnologia, conseguem estabelecer
metas de custos agressivas para a equipe. Segundo, cabe a eles orientar os
demais executivos nas discussões estratégicas sobre como a tecnologia pode
reduzir drasticamente as estruturas de custos na hora de colocar em prática as
idéias próprias de um oceano azul.
Mesmo quando se consegue criar um
oceano azul, a missão não está completa. Por exemplo: embora o iPod da Apple
tenha criado um oceano azul, no futuro a empresa terá de ampliar e manter essa
vantagem, reavaliando a precificação estratégica e o custeio-alvo, por conta da
crescente pressão dos imitadores para conquistar um lugar ao
sol.
Fonte:
HSM Management
23/07/2007
Kim, W. Chan - Mauborgne, Renée
Leve esta Palestra para seus líderes, executivos e empresários!
Palestra e Treinamento apresentado pelos Profs. Ari Lima e Múcio Morais
Múcio Morais
Palestrante Motivacional, Conferencista e Consultor Empresarial
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