Desde o impressionante insight de inspiração das
lideranças partidárias quando da decisão de
realizar coligações piramidais ignorando completamente o
processo de formação do pensamento político
à partir das bases e não para ela. A Vida
partidária tem se transformado em um verdadeiro exercício
de administração do caos. As inovações
trazem mudanças que vão desde a cobrança de
“royalty” até, pasmem, a recomendação
da famosa “vaquinha” como metodologia de auto
sustentabilidade.
O bom e velho escritório do partido,
antes um centro de discussões e desenvolvimento da cultura política do País,
agora não pode sequer contar com uma sala e secretária. A Representação
partidária nos municípios Brasileiros está a muito abandonando sua vocação para
se transformar em meras franquias, granjeadoras de fundos para as pretensões de
poder do alto escalão.
Funciona mais ou menos assim: Os diretórios municipais
recolhem seus fundos (até 5% do salário dos vereadores e outras rendas) aos
Estaduais que por sua vez repartem com os federais, resumindo, parece que a
única coisa que os municipais tem em comum com os demais, são os “ais” que ficam
na totalidade com o município.
A falta de discernimento e bom senso são tão
flagrantes que o “esquema” já é oficial. Um membro de destaque de um partido do
interior de Minas Gerais me confidenciou que a única comunicação que recebeu por
parte do diretório estadual em dois anos foi um “boleto” cobrando uma
participação absurda, prova de que o diretório estadual e nacional desconhecem
completamente a estrutura e o potencial financeiro de seu diretório no
município.
As franquias partidárias, na sua maioria, não passam hoje de um
modelo arcáico e camuflado de captação de recursos e abrigamento de
oportunistas, sem qualquer ideologia, missão ou serviço. Uma verdadeira
inutilidade pública.
O retrocesso político traz um prejuízo enorme ao país. A
falta de atuação dos diretórios municipais trazem como conseqüência o
distanciamento cada vez maior entre o povo e seus representantes. Parece-me que
a elite política Brasileira já admite em todas as instâncias que é preciso “ter
para poder” ou seja, fazer história e ser reconhecido por ela faz parte de uma
política romântica, os líderes autenticamente ligados aos movimentos de
conquista popular, hoje, são apenas marionetes que angariam fundos e militância
para legitimar e alimentar o continuísmo, a falta de sensibilidade e a sede de
poder das pseudo lideranças políticas.
Os Partidos nos municípios Brasileiros
existem sob a égide do “mais um pra fazer volume” e estão cada vez mais
distantes das necessidades gritantes de uma sociedade pluralista em todos os
aspectos, em especial na necessidade de conquista da cidadania. Aspectos estes
somente compreendidos com propriedade, dentro das nossas diversidades de
regionalismos pelos nativos presidentes, diretores e militantes de cada
município. Ignorar este fato básico e óbvio pode e certamente representará um
rompimento definitivo e mortal na representatividade parlamentar.
A administração partidária brasileira necessita
urgentemente de um “choque de gestão” onde
será colocada à prova sua pertinência como
representação política e ideológica, onde
será confrontada sua retórica e suas ações,
onde será requeridos sua cidadania enquanto coletivo
político, onde será exigido seu projeto enquanto partido
e não enquanto “poder” (A motivação de
um partido deve ir muito além da simples luta pelo poder, e
mesmo que jamais o conquiste deverá deixar sua marca na
sociedade), O poder é efêmero, as necessidades sociais
não, pelo menos enquanto o mundo for mundo.
Partidos modernos e sintonizados com a
população, irão gradativamente conquistar seu espaço no coração da comunidade
exigindo cada vez menos dependência do poder econômico e da mídia.
Seguem
aqui algumas sugestões para as administrações partidárias municipais:
·
Procurem descobrir o pensamento da comunidade sobre as representações políticas
municipais em geral;
· Descubra os anseios e expectativas desta
comunidade;
· Defina um projeto de ação com base nos dados colhidos;
·
Organize-se de forma prática e simples, busque parcerias na iniciativa privada,
nos movimentos sociais e outros;
· Não condicione qualquer parceria à
filiação ao partido; Ajam como simplesmente como cidadãos;
· Mantenha um
atendimento mínimo para orientação em algumas instâncias críticas, por exemplo:
Direito do Consumidor, Recuperação de dependentes químicos, Direitos da Criança
e Adolescentes, Direitos dos Aposentados...
· Organize um corpo de
voluntários e sejam atuantes e presentes;
· Organize debates e palestras com
temas relevantes para a população;
· Organize treinamentos
profissionalizantes e faça parcerias com a iniciativa privada para absorver pelo
menos parte da mão de obra;
· Não adiantam pessoas sem ideais e sem amor ao
País;
Tenho plena convicção de que medidas com este tipo de enfoque
transformarão a vida política brasileira, atraindo gente com motivações éticas e
legítimas, recuperando a credibilidade já perdida há muito tempo.
Como
cidadão me sinto constrangido e envergonhado com este degradante show dos
políticos do Brasil. Meu apelo aos Senhores não é novo, nem será o
último:
Acordem, sejam sérios, sejam éticos, sejam inteligentes, sejam
sensíveis, sejam descentes, sejam GENTE!
Em nome dos pais, dos filhos e de
todos os municípios do Brasil, amém!
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