Estava recentemente em uma conferência de
líderes religiosos com amigos muito especiais, debatiamos sobre o crescimento
das religiões chamadas "não Cristãs" na América Latina e em especial no Brasil.
Escutei muitos argumentos interessantes, coisas como o poder da educação
religiosa organizada e familiar, a característica proselitista de muitos grupos,
a abertura dos países para as novas crenças, a fraqueza da educação cristã, em
especial na família, o secularismo de nossa sociedade etc...
Concordo com todas
essas questões, mas para mim tenho por motivo muito forte o enfraquecimento da
autoridade espiritual em nossa sociedade. Igrejas, seitas, movimentos surgem a
cada segundo, como se fossem empresas. "Vou montar uma Igreja pra mim" foi o que
ouvi de um dissidente à poucos dias... A Fé se transforma a cada dia em um
produto, com formato, embalagem e propósito de acordo com o interesse deste ou
daquele "Lider"...
Temos a volta à quase venda de indulgências na Igreja
Católica, hoje Católicos vendem de tudo, Medalhas, Mantos Sagrados, Viagem à
terra santa, Excursão com o Padre fulano de tal, Caravana com o Padre Ciclano de
tal, DVD do Padre X, CD do Padre Y, Show do Padre Z... OU seja, estamos diante
de uma guerra de vaidades, lideranças espiritualmente fracas, inoportunas, sem
influência. Os "Líderes" da Igreja de hoje não têm mais seguidores, no máximo
têm "Fans"...
Estes não imitam (como os Discípulos imitavam Jesus)
apenas
admiram e nada mais.
Na Igreja Evangélica ocorre o mesmo fenômeno, Igrejas
empresa construindo impérios, com apelos dos mais absurdos
possíveis, comum é escutarmos na TV "Pastores" ensinando
seus fieis a pedir a Deus "Restituição" (Deus não
é descrito como alguém que cobra a mais, ou recolhe
imposto na fonte e no final de cada ano você que se vire se
não fica sem o seu, esta descrição é feita
sobre outro ser, se não me engano o Diabo). Reivindicar seus
direitos, tomar posse, falar para se cumprir e outras
aberrações e criatividades mercadológicas sem
nenhuma base teológica. (aliás, desconfio que não
exista nenhuma preocupação ou compromisso com qualquer
base teológica ou histórica);
Deus não é um patrão endurecido e impiedoso que
nos obrigue a reivindicar, Deus é ético, ele sabe o que
é meu e seu, ele cumpre o prometido, não necessita de
grevistas e piqueteiros com placas a sua porta reivindicando o que lhes
pertence. Um Deus rabugento, intransigente e cheio de manias é
uma invenção no mínimo oportunista e descabida,
Reflita nisso.
Que besteira. quanta ignorância. Eventos, cultos, missas,
seminários, encontros, retiros, congressos, conferências,
livros, revistas,.cursos, DVDs, clínicas e outras
programações tratando deste tipo de tema: Como
reivindicar, como tomar posse, como mover, como receber, como isso,
como aquilo... Fazendo de Deus um jogador que com o método certo
e as palavras mágicas você consegue dobrá-lo,
deixa-lo sem saída a não ser fazer aquilo que você
quer. Simpatias camufladas. Supertições e magias em
formato de espiritualidade Cristã. Ignorância
teológica. Cegueira espiritual.Preguiça mental.
Em minha visão isso tem muito mais a ver com o crescimento das
religiões não Cristãs no Brasil do que qualquer
outra coisa. Parece que na busca da ética, do respeito, da
moral, da sinceridade, da seriedade e outros valores, nossa sociedade
está se voltando para outras propostas espirituais e religiosas.
Digam o que quiserem dizer, mas um dos último lugares onde a
sociedade Brasileira pensa em buscar esses valores é à
porta de alguns desses pseudo "Líderes espirituais".
Uma verdade é que: NÓS JÁ ENTAMOS CHEIOS
DESSA GENTE... ETAMOS CANSADOS DESSES "LÍDERES", PERDEMOS O
RESPEITO E A CONFIANÇA NESTA TURMA DE ARTISTAS FRUSTADOS que
montam seu palco (Chamam hoje de Igreja) para terem uma plateia cativa
aos domingos (Chamam isso de membros, fieis, voluntários,
obreiros...) comprados a preço da vaidade por "cargos e
posições" onde freneticamente eles podem se apresentar
(Chamam isso de pregação, ensino, homilia, liturgia...) e
receber os aplausos e elogios (Chamam isso de
glorificação, manifestação, poder...) que
suas mentes doentias tanto necessitam. O Efeito na vida do País?
Nenhum. A Transformação de nossa sociedade? Nem preciso
falar.