LINGUAGEM E PENSAMENTO
O PENSAMENTO - Pensar é formar conceitos que organizam
nosso mundo, resolvem problemas, tomam decisões eficientes e efetuam
julgamentos.
Pensamento ou cognição é a atividade mental associada com o
processamento, a compreensão e a comunicação de informação.
Ao pensar sobre
os incontáveis eventos, objetos e pessoas em nosso mundo, simplificamos as
coisas. Agrupamos em conceitos – agrupamentos mentais de objetos, eventos e
pessoas similares. Imagine a vida sem conceitos. Precisaríamos de um nome
diferente para cada objeto e idéia. Não poderíamos pedir a uma criança para
“jogar a bola”, porque não haverá conceito de bola.
Um tributo à nossa
racionalidade é a habilidade de formar e usar conceitos. Outro é a nossa
habilidade em resolver problemas ao lidarmos com situações novas. Resolvemos
alguns problemas por tentativas e erros, por algoritmos (um procedimento passo a
passo que garante uma solução), ou através da HEURÍSTICA (estratégias simples de
aproximação). Às vezes nem percebemos que usamos alguma estratégia para a
solução de problemas; a resposta simplesmente nos ocorre.
Todos podemos recordar
ocasiões em que ficamos perplexos com um problema durante algum tempo. E de
repente as peças se ajustaram e percebemos a solução. Chamamos esses súbitos
lampejos de insight. Na experiência humana o insight proporciona um senso de
satisfação. Depois de resolver um problema difícil ou descobrir como solucionar
um conflito, nós nos sentimos felizes. A alegria de uma piada pode se encontrar
também em nossa capacidade para o insight – a súbita compreensão de um final
inesperado ou de duplo sentido.
O ser humano possui OBSTÁCULOS À RESOLUÇÃO DE
PROBLEMAS, estes são: a TENDENCIOSIDADE EM FAVOR DA CONFIRMAÇÃO e
FIXAÇÃO.
TENDENCIOSIDADE EM FAVOR DA CONFIRMAÇÃO – um grande obstáculo
para a resolução de problemas é a nossa ansiedade em buscar informações que
confirmem nossas idéias.
FIXAÇÃO – a incapacidade de ver um problema a
partir de uma nova perspectiva, depois que representamos incorretamente o
problema, é difícil reestruturá-lo. Se você pensar na solução um quebra-cabeça
em termos bidimensionais e a resposta certa for uma figura tridimensional, esta
escapará de suas cogitações. Tornamo-nos fixados em determinadas soluções por
uma boa razão: as soluções que deram certo no passado muitas vezes também dão
certo com novos problemas.
TOMADA DE DECISÕES E FORMAÇÃO DE
JULGAMENTOS
O uso de heurísticas (atalhos mentais), como a HEURÍSTICA DE
REPRESENTATIVIDADE (julgar a probabilidade de coisas em termos de quão bem
representa protótipos específicos, por exemplo: um estranho fala sobre uma
pessoa que é baixa, magra e gosta de ler poesia, e depois lhe pede para
adivinhar se é mais provável que essa pessoa seja um professor de literatura
clássica ou um motorista de caminhão).e a HEURÍSTICA DE DISPONIBILIDADE (opera
quando baseamos nossos julgamentos na disponibilidade de informações presentes
em nossa memória), proporciona guias eficientes mas às vezes enganadores para
tomar decisões rápidas e formar julgamentos intuitivos. A tendência para
procurar confirmação de nossas hipóteses e usar heurísticas rápidas e fáceis
pode nos cegar para a nossa vulnerabilidade ao erro, fenômeno conhecido como
EXCESSO DE CONFIANÇA.
ENQUADRANDO DECISÕES
Um teste de racionalidade é
verificar se a mesma questão, apresentada de duas maneiras diferentes, mas
logicamente equivalentes, terá uma resposta igual. Por exemplo, se um cirurgião
diz a alguém que 10 por cento das pessoas morre quando se submetem a alguma
operação específica ou que 90 por cento sobrevivem, a informação é a mesma. Mas
o efeito não é. O risco parece maior para as pessoas que ouvem que 10 por cento
morrerão. Esse impacto oriundo da maneira como apresentamos uma questão é
chamado de enquadramento.
TENDENCIOSIDADE EM FAVOR DA CONFIRMAÇÃO
As
pessoas demonstram uma tendenciosidade em favor da confirmação em seu
raciocínio, aceitando com mais lógicas as conclusões que se coadunam, com suas
convicções.
O FENÔMENO DA TENDENCIOSIDADE DA CONVICÇÃO
Apegamos às
nossas convicções mesmo diante de evidências em contrário, aderimos a nossas
idéias porque a explicação que aceitamos como válida perdura em nossa mente,
mesmo depois que as bases para as idéias foram desacreditadas. Apesar de nossa
capacidade para o erro e de nossa suscetibilidade para o preconceito, no entanto
a cognição humana é extraordinariamente eficiente e adaptativa. À medida que
adquirimos competência em uma área, vamos nos tornando eficientes em julgamentos
rápidos e perspicazes.
A LINGUAGEM
A linguagem consiste em
símbolos que contêm significados, mais regras para combinar aqueles símbolos,
que podem ser usados para gerar uma infinita variedade de mensagens. A
linguagem, a forma assumida por grande parte do nosso pensamento, é constituída
por vários elementos que afloram à medida que a criança amadurece. A linguagem
corresponde à nossas palavras faladas, escritas ou gesticuladas e as maneiras
como as combinamos à medida que pensamos e comunicamos. Os humanos há muito
proclamam orgulhosos que a linguagem nos coloca acima de todos os outros
animais.
Estrutura da linguagem
Fonemas – conjunto de sons básicos.
Para dizer bate, enunciamos os fonemas b, a, t, e. mudanças em fonemas produzem
mudanças no significado. Em geral, no entanto, os fonemas consoantes possuem
mais informação do que os fonemas vogais.
Morfema – a menor unidade da
linguagem que contém um significado. Os morfemas incluem prefixos e sufixos –
pré, des, in.
Semântica – é o conjunto de regras que usamos para extrair um
significado de morfemas, palavras e até frases.
Sintaxe – refere-se às regras
que usamos para ordenar palavras em frases.
Desenvolvimento da
linguagem
Entre as maravilhas da natureza está a habilidade de uma criança
para adquirir linguagem, a facilidade com que as crianças progridem do estágio
do balbucio para o estágio de uma só palavra, o estágio de duas palavras,
começam a enunciar frases mais longas sem preposição e por fim, frases
completas. O behaviorista Skinner explicou que aprendemos a linguagem pelos
princípios familiares da imitação e reforço. Noam Chomsky argumentou que as
crianças são biologicamente preparadas para aprender palavras e usar a
gramática.
Os animais podem exibir linguagem?
É óbvio que os animais
se comunicam. As abelhas, por exemplo, comunicam a localização de alimento por
meio de uma intrincada combinação de dança e som. E várias equipes de psicólogos
ensinaram as diversas espécies de macacos, inclusive chipanzés, a se comunicar
com humanos por meio de sinais ou apertando botões ligados a um computador.
Macacos desenvolveram vocabulários consideráveis. Juntam palavras para expressar
significado ou formular e atender a pedidos. Esses estudos revelam que os
macacos possuem considerável habilidade cognitiva.
Todos concordam que só os
humanos possuem a linguagem, se pelo termo significamos expressão verbal ou
sinalizada de gramática complexa. Se queremos indicar apenas a capacidade de se
comunicar por meio de uma seqüência significativa de símbolos, então os macacos
também são sem dúvida capazes de linguagem.
PENSAMENTO E LINGUAGEM
Um
mundo sem linguagem seria um mundo sem os conceitos e culturas que apoiamos na
linguagem. A linguagem influencia o que pensamos, percebemos e lembramos. A
educação, portanto, visa a aumentar nosso poder de palavra (e de pensamento).
Contudo, muito pensamento não envolve palavra.
Algumas idéias, como a
habilidade de perceber e lembrar cores diferentes, não dependem da linguagem, às
vezes pensamos em imagens em vez de palavras, e inventamos novas palavras para
descrever novas idéias. Assim, podemos dizer que o pensamento afeta a linguagem,
que por sua vez afeta o pensamento.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
MYERS, David. Introdução à Psicologia Geral. Rio de
Janeiro: LTC – Livros técnicos e científicos Editora S.A., 1999.
WEITEN, W.
introdução à Psicologia: temas e variações. São Paulo: Thomson Pioneira,
2002.