Minha filha chegou em casa hoje com uma novidade, Papai, estou tendo aula de
Filosofia. Puxa que legal, exclamei. E o que você discutiu hoje? Bem, o
professor explicou que ele é Ateu, não acredita no sobrenatural nem no
espiritual, que este negócio é pura bobagem e que a filosofia explica tudo.
Também quando foi questionado pelos alunos que crêm em Deus, encerrou a conversa
dizendo que isso não estava em questão e que não colocaria seus pontos de vista
em julgamento.
POBRE COITADO, chamar esta figura de "Professor de Filosofia"
é uma comédia. Os princípios didáticos da discussão filosófica foram
completamente destruídos ou ignorados neste pequeno trecho de conversa. De
início uma imposição abrupta de um sistema de crenças e valores pessoais, sem
questionamentos e sem base. Depois a negativa para discussão do próprio
pensamento filosófico enfiado na guela da turma, E pra arrebentar o resto a
postura desrespeitosa diante de uma sociedade que respira a divindade, o
sobrenatural e a espiritualidade.
A Filosofia é muito grande pra ser ensinada
de forma tão rasteira. O Pensamento filosófico, a capacidade de analizar e
avaliar é fundamental para uma sociedade que almeja igualdade e justiça.
A Filosofia (do grego
Φιλοσοφία: philos -
amor, amizade + sophia - sabedoria) modernamente é uma
disciplina, ou uma área de estudos, que envolve a
investigação, análise, discussão,
formação e reflexão de idéias (ou
visões de mundo) em uma situação geral, abstrata
ou fundamental.
Originou-se da
inquietação gerada pela curiosidade humana em compreender e questionar os
valores e as interpretações comumente aceitas sobre a sua própria realidade. As
interpretações comumente aceitas pelo homem constituem inicialmente o
embasamento de todo o conhecimento.
Estas interpretações foram adquiridas,
enriquecidas e repassadas de geração em geração. Ocorreram inicialmente através
da observação dos fenômenos naturais e sofreram influência das relações humanas
estabelecidas até a formação da sociedade, isto em conformidade com os padrões
de comportamentos éticos ou morais tidos como aceitáveis em determinada época
por um determinado grupo ou determinada relação humana. A partir da Filosofia
surge a Ciência, pois o Homem reorganiza as inquietações que assolam o campo das
idéias e utiliza-se de experimentos para interagir com a sua própria realidade.
Assim a partir da inquietação, o homem através de instrumentos e procedimentos
equaciona o campo das hipóteses e exercita a razão.
São organizados os padrões
de pensamentos que formulam as diversas teorias agregadas ao conhecimento
humano. Contudo o conhecimento científico por sua própria natureza torna-se
suscetível às descobertas de novas ferramentas ou instrumentos que aprimoraram o
campo da sua observação e manipulação, o que em última análise, implica tanto na
ampliação, quanto no questionamento de tais conhecimentos. Neste contexto a
filosofia surge como "a mãe de todas as ciências".
Podemos resumir que a
filosofia consiste no estudo das características mais gerais e abstratas do
mundo e das categorias com que pensamos: Mente (pensar), matéria (o que
sensibiliza noções como quente ou frio sobre o realismo), razão(lógica),
demostração e verdade. Pensamento vem da palavra Epistemologia "Epistemo"
significa "ter Ciência" "logia" significa Estudo. Didaticamente, a Filosofia
divide-se em:
· Epistemologia ou teoria do conhecimento: trata da crença, da
justificação e do conhecimento.
· Ética: trata do certo e do errado, do bem
e do mal.
· Filosofia da Arte ou Estética: trata do belo.
· Lógica:
trata da preservação da verdade e dos modos de se evitar a inferência e
raciocínio inválidos.
· Metafísica ou ontologia: trata da realidade, do ser
e do nada.
Como Mestres temos que ser consequentes com nosso ensino, postura e opiniões.
Nosso papel é orientar o aprendizado, não mastigar para o aluno engolir. Somos
guias, nossa didática deve ser simples e direcionada ao desenvolvimento do aluno
e não complexa, confusa e destrutiva.
Se queremos destruir mitos, falsos
conceitos ou mudar valores distorcidos devemos fazê-lo com o devido cuidado com
a consciência alheia. Com respeito ao sistema de crenças e valores do outro,
inclusive alunos. Violentar a mente não é um pricncípio filosófico, nem um
método que induz à análise, pelo contrário, induz ao rancor, à mágoa e ao
revanchismo, as pessoas passam a acreitar no que acreditam apenas pelo
contraditório.
Professor de Filosofia que não entende estes princípios
fundamentais, precisa antes de despejar toda sua teoría em forma de frustações,
rever sua posição como ser humano, gente, filosoficamente inserida na sociedade
e filosoficamente responsável pela formação do Brasil do futuro.
Um Brasil
sem Deus, sem fé, sem espiritualidade? Uma Guerra de convicções entre a nova e a
velha geração? Em que isso vaim contribuir? Em minha casa, nada! Não estou
defendendo Deus, ele não precisa de mim como advogado. O que defendo é o ensino,
a educação com a metodologia adequada. Ensinar o anti espiritual? Tudo bem, mas
sempre apresentando as consequencias e os dois lados. Filosofia sem aplicação
prática não serve pra nada.
Sou solidário aos Pais indignados com a postura
do tal professor. Acredito que temos sim que levantar nossas vozes,
filosoficamente temos direito ao livre pensamento e temos direito à exigir uma
educação compatível com nosso pensamento. O professor que crie seus filhos sem
Deus, e sem direito de descobrí-lo. Eu não sou louco a este ponto.