“Nos
últimos anos, a força de vendas mudou muito.
Antes, podíamos nos
contentar em mostrar ao cliente como nosso produto era bom”,
diz
Rackham. Ele explica que, onde tínhamos produtos ou
serviços únicos,
temos agora produtos ou serviços substituíveis,
pois o consumidor pode
escolher entre vários concorrentes e não percebe
o caráter único de
cada opção.
As
forças do mercado, de acordo com o especialista
internacional, são mais
intensas do que as estratégias das empresas. Essas
forças fazem com que
as opções oferecidas, aos olhos dos clientes, se
pareçam cada vez mais.
Os clientes estão mais exigentes e a tecnologia impacta o
comportamento
de compra, como é o caso da internet, que viabiliza
pesquisas. “Mesmo
que você tenha um produto singular e melhor, a sua velha
estratégia de
venda já não funciona tão bem. A
concorrência, muito rapidamente, o
alcançará”, alerta Rackham.
Para
ele, no mundo dos produtos substituíveis, não
basta ao pessoal de
vendas comunicar valor. É preciso que esse pessoal crie
valor.
Para
vender valor, o especialista em vendas analisa três
opções de estratégia:
1.
criar mais valor no processo de venda, o que é uma
estratégia de alto custo;
2.
cortar custo de vendas, vendendo via internet ou telefone, por exemplo;
é uma estratégia de alto risco, no caso dos
concorrentes não tirarem a
força de vendas de circulação;
3.
fazer uma combinação das
opções 1 e 2, o
que é a opção mais difícil
de executar e
tem o maior índice de fracasso.
Rackham
identifica três maneiras diferentes pelas quais o cliente
compra valor, que define três tipos de clientes:
1.
clientes de valor intrínseco: conhecem bem o produto, os
substitutos e os custos e não gostam se reunir com o
vendedor;
2.
clientes de valor extrínseco: são atentos ao modo
de uso do produto,
aos benefícios que apresenta; valorizam a
assistência e investem tempo
e dinheiro no pessoal de vendas;
3.
clientes de valor estratégico: querem aproveitar as
competências dos
fornecedores e aceitam mudar processos para obter o melhor dos
fornecedores; têm uma ligação
próxima com o fornecedor.
A
quantidade de valor que um vendedor pode criar depende do tipo de
cliente que ele tem. Se todos os clientes forem intrínsecos,
não há
muito a fazer. Adota-se o modelo transacional, no qual se facilita ao
cliente fazer o negócio e se mantém o custo baixo
da força de vendas.
“Se, no entanto, o cliente é do tipo
extrínseco, adotamos o modelo
consultivo e resolvemos os problemas do cliente. Precisamos de um bom
pessoal de vendas para vencer a concorrência. Não
é o produto quem
define a compra neste caso”, contrapôs o
pesquisador.
“Finalmente,
para o cliente que compra valor estratégico, temos o modelo
empresarial, que é muito oneroso e depende de parceria. Essa
estratégia
está fracassando no mundo todo”, ressaltou Neil
Rackham.
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