O Negócio da Saúde

Prof. Ronaldo Cirqueira

É sempre muito alarmante assistir nos telejornais dia após dia as matérias assustadoras sobre o caos da saúde no nosso País. Entra CPMF sai CPMF e a situação alarmante continua a mesma. Saem sanguessugas entram “novos” sanguessugas;  tentam aprovar um “novo” imposto para a saúde e o problema persiste, insiste em nos brindar todos os dias com novas imagens e relatos que nos deixam atordoados.

Atordoado por tantos absurdos, me pego pensando sobre o que fazer para me prevenir ou me proteger em uma situação de urgência ou emergência. Com mais de cinqüenta anos nas costas, fazer um plano ou um seguro saúde esta fora de cogitação. Pagar entre 2 e 3 mil reais por ano para uma consultinha de vez em quando e uns exames de preventivos que não custam mais de 400, 500 reais por ano é um luxo que eu, entre milhares de cidadãos brasileiros não pode se dar.

Ainda mais quando ouço história de amigos meus que se queixam do tratamento que recebem quando tentam agendar uma consulta através d seus convênios. Para começo de conversa, o tratamento da atendente ao telefone muda imediatamente quando a resposta é para a segunda opção para a fatídica pergunta: “particular ou convenio”?

Nesse momento o interesse e o tratamento não diferem muito de quando procuramos o Serviço Publico de Saúde. A data mais próxima disponível é sempre mais distante da que precisamos, mas, se ligarmos novamente para o mesmo consultório e optarmos para um atendimento particular, ou seja, sem o famigerado convênio, corremos o risco de sermos atendidos até no mesmo dia.

Se optarmos por aguardar a consulta pelo convenio, certamente seremos submetidos a uma situação constrangedora de sermos ouvidos e não examinados, numa “consulta” que não deve passar de 15 entediantes minutos, para em seguida sairmos com alguns pedidos de exames diagnósticos que nos trarão de volta aquele consultório algumas semanas depois para, novamente, não sermos examinados, e observar o Doutor ler toda aquela papelada que não faz o menor sentidos para nós e, em seguida, ouvirmos um veredicto previamente elaborado  pela Clinica de Diagnóstico e receber uma receita medica com a recomendação para retornarmos, caso os sintomas persistam.

Se você já viveu uma situação como esta sabe bem a frustração que isso provoca, sem contar com a sensação de abandono, descaso e um sentimento de desamparo num momento muitas vezes importante para cada um de nós

PLANO DE SAÚDE OU PLANO DE DOENÇA?

O que chamam de “Plano de Saúde”, na verdade trata-se de m plano de doença, ou seja, você paga absurdamente caro para quando ficar doente ter um pouco mais de status do que aqueles miseráveis que povoam as reportagens dos telejornais diariamente.

A pergunta é: A quem interessa toda essa situação da saúde em  nosso País?

Para ser bem sincero, não creio que os valorosos profissionais da saúde estão felizes com este estado de coisas. Creio que a imensa maioria da classe médica sonha e anseia com o dia em que possam consultar, na verdadeira concepção da palavra, os seus pacientes, examiná-los calma e detalhadamente, acolhe-los com toda atenção e respeito, culminando com a cura.

Entendo que os irrisórios valores pagos não só pelo Sistema Único de Saúde, mas também pelos convênios médicos os obrigam a optar pela  sobrevivência pessoal e familiar, onde a quantidade se contrapõe a qualidade, fazendo com que a saúde se transforme em um “negocio” onde a sua própria sobrevivência   fala mais alto. Eles também são humanos.

A quem interessa todo esse caos em que se transformou o sistema publico e porque não dizer também privado? (leia-se planos e seguros saúde). Sem sermos especialistas no assunto, apenas como meros observadores do que acontece ao nosso redor, não é difícil concluir que os “interesses” são inúmeros: indústrias farmacêuticas; os vampiros travestidos de políticos; investidores; passando por “profissionais da saúde” inescrupulosos, entre tantos outros interesses. São tantos agentes envolvidos que, como diria D. Lucia, “só Jesus pra dar um jeito nisso”.

A SOLUÇÂO

Desculpe a ousadia de um leigo visionário que acredita que o bom senso, a boa vontade e um pouco de inteligência pode ser a solução para muitas coisas. Mas, pensa comigo: e se ao invés de um plano de doença, como está concebido os planos atuais, um hospital respeitável, e existem excelentes estabelecimentos hospitalares por aí, criassem um autentico Plano de Saúde onde o cliente, veja a primeira mudança, eu disse “Cliente” e não paciente, através do pagamento de uma justa quantia mensal, recebesse um acompanhamento permanente, onde periodicamente fosse submetido a exames e consultas com o objetivo de acompanhar a saúde do cliente, agindo de maneira preventiva e não apenas curativa.

Com ações como esta, onde o conveniado ou associado dispusesse de profissionais de saúde de todas as especialidades acompanhando preventivamente o seu quadro clinico, através de exames realizados rotineiramente, fosse submetido a um tratamento preventivo constante, certamente teríamos um quadro muito diferente desse que já nos acostumamos a ver e que, infelizmente, já nem nos impressiona mais.

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