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Sempre
foi um desafio para mim como Pai conseguir a abertura de meus
filhos, especialmente quando chegaram à
pré-adolescência. Conversando com amigos acabei
descobrindo que este era um fato comum entre os Pais e em especial
daqueles de minha geração e os anteriores a ela.
Percebí que a maioria de nós não teve
muito acesso às questões familiares, aos
problemas e dificuldades, as coisas sempre eram tratadas de forma muito
reservada. Éramos "poupados" da maioria das encrencas.
Coisas pessoais então? Nem pensar. Não me lembro
de ter conversado com meu Pai (já separado de minha
mãe) sobre se ele queria se casar novamente ou se sentia
falta de uma namorada... Não ousaria fazer tal pergunta,
ainda que meu Pai foi um homem extremamente carinhoso e gentil,
especialmente com os filhos. Tenho me determinado a ser muito mais
aberto com meus filhos. Percebí que ao me mostrar
vulnerável, falho e muitas vezes confuso sobre a vida estou
dando aos meu filhos a oportunidade de participar e ao mesmo tempo de
se sentirem "iguais e unidos" comigo. Dito e feito, passei a
expressar-me nesses momentos, a perguntar-lhes sobre
questões da vida, a compartilhar com eles muitas de minhas
mancadas, falhas de caráter e micos de ontem e de hoje,
percebí que eles se aproximaram, afinal "somos iguais ao
Papai" e às vezes somos até melhores. Tenho dado
a eles a segurança de minha experiência, de que
geralmente terei uma resposta, um caminho, afinal já errei e
já acertei mais vezes do que eles. Mas deixo sempre claro
que os erros são etapas, são escalas e sem eles
não se pode crescer, então, VIVA A
IMPERFEIÇAO! Interessante como esta postura é
produtiva, traz alívio emocional e isenta-nos da culpa (a
má culpa). É importante nos colocarmos iguais,
sem no entanto perdermos a autoridade e a marca da
experiência e sabedoria. Nossa
imperfeição é fundamental para o
desenvolvimento de nossos filhos, não os privemos
disso!
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